| Caminhos
para Santiago - Desvios pelas terras e pela História da
Espanha, de Cees Nooteboom (Nova Fronteira, 440
páginas, R$ 43 reais) - Não se deixe
enganar pelo título deste livro. Ele nada tem a ver com as
apelativas estórias esotéricas escritas nas últimas
décadas por centenas de peregrinos, que fizeram
de Santiago de Compostela uma espécie de Disneylândia
new age. Chegar a famosa cidadezinha espanhola é, sim, o
objetivo de Cees Nooteboom nas viagens aqui descritas. Mas, na
maioria das vezes, o principal escritor holandês
da atualidade se desvia da rota e avança por
caminhos pouco percorridos. Os 25 textos do livro, escritos
entre 1979 e 1992, refletem a busca do autor
pela "alma da Espanha", país pelo
qual ele se diz fascinado
desde as primeiras linhas. Visitando
lugarejos menores, Nooteboom discorre sobre
culinária, arte, literatura e história e revela um país que
não se encontra nos guias turísticos.
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Bilac Vê
Estrelas, de Ruy Castro (Companhia das Letras, 150
páginas, 19 reais) - Dono de um dos textos mais
festejados da imprensa cultural
brasileira, Ruy Castro se destacou
pela fluência e pelo bom
humor com que escreveu biografias, como a de Nelson
Rodrigues ou a de Garrincha. Esse livro, sua estréia
como autor de ficção, tem as mesmas qualidades
"técnicas". Parte de uma
coleção que transforma escritores famosos em
protagonistas de enredos policiais, a obra traz o poeta Olavo
Bilac como pivô da trama. No caso, a história de uma espiã
portuguesa que tenta roubar o projeto de um dirigível f eito
pelo político José do Patrocínio, amigo de Bilac. Ao
desenvolver o enredo, Castro apresenta
uma divertida caricatura do Rio
de Janeiro fin-de-siècle. Hábil ao
recriar o linguajar da época e ao compor cenas
cômicas, o autor mostra que seus dotes como escritor vão
além do jornalismo.
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Cidade
Corrompida, de Ross Macdonald (Record, 220 páginas, 25
reais) - Ross Macdonald ocupa papel de destaque na literatura
americana. Seguidor dos mestres Dashiell Hammett e Raymond
Chandler, ele foi o pai de um dos heróis mais conhecidos do
gênero: o detetive Lew Archer. Neste romance publicado em
1947, dois anos antes do surgimento do personagem, Macdonald
já dava mostras de seu talento. Ao voltar a sua cidade natal,
um homem descobreque seu pai foi assasinado e a herança
passou as mãos da jovem madrasta. Daí a desconfiar de um
ardiloso esquema envolvendo os habitantes locais é um passo:
Por trás da trama violenta, Macdonald constrói uma alegoria
sobre a sociedade americana do pós-guerra.
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